Cachaça: uma joia brasileira

March 18, 2017

 

A afetividade que descobri por trás da cachaça

 

Cresci em meio aos canaviais. Explico. Sou da cidade e não do campo, mas nasci em Recife onde morei até os quatro anos e vivi grande parte da minha vida em Maceió. Quem já viajou entre os estados de Alagoas e Pernambuco, sabe que as plantações de cana fazem parte paisagem. Não quero entrar em detalhes sobre a monocultura, nem falar sobre senhores de engenho ou coronéis da região. Meu papo aqui é afetivo! <3

 

Dito isto que quero contar para vocês que sempre que vejo um canavial me vem um sentimento de casa, de pertencimento. Por mais que eu tenha vivido e crescido em área urbana, ver aquele mar verde e até sentir aquele cheiro da tiborna (vinhoto, vinhaça  ou restilo) que faz parte do processo - e não é dos mais agradáveis, - me faz lembrar das minhas viagens em família com minha mãe e meu irmão e me remete a momentos muito especiais; e foi deles que eu lembrei no fim de semana passado quando embarquei rumo ao interior de São Paulo para uma viagem em busca de conhecimento sobre cachaça.

 

Saímos de São Paulo no sábado por volta das 8h da manhã. O grupo já era animado desde o primeiro momento (que sorte a minha!). Nossa primeira parada foi na Adega Lourençon, um negócio familiar que fabrica queijos, sucos de uva, geleias, vinhos, entre outros produtos; e fica perto do Outlet Premium - Rodovia dos Bandeirantes. Ali tivemos um primeiro aperitivo do que nos aguardava nas próximas paradas.

 

As músicas, os bons papos (com direito à história, religião e até conspirações políticas rs!), as risadas e as boas estradas que cortam o estado de São Paulo tornaram o percurso prazeroso até a nossa chegada ao Alambique Santa Justina que produz a cachaça Sebastiana. Lá fomos recebidos por uma família simpática e hospitaleira liderada pelo Beto e sob o olhar atento e o sorriso cativante da Adriana. Garantindo a velha máxima de que ao lado de um grande homem há sempre uma grande mulher.

 

A cachaça Sebastiana é fabricada no Engenho Santa Justina e no passado se chamava Perna de Moça (aliás, a história da origem do nome é bem divertida). Degustamos algumas variedades das cachaças produzidas no local, acompanhamos e aprendemos sobre o processo produtivo e ainda tivemos a sorte/ alegria de provar alguns drinques feitos com Sebastiana: Tonica, um drinque feito com tônica  e cachaça envelhecida em barril de carvalho americano e Sebastiana Sour, uma espécie de Pisco Sour só que feito com cachaça (lembrando dele até agora <3!).

 

Muito mais do que aprender sobre cachaça, eu vi ali uma família feliz a frente de um processo estruturado de destilação em alambique de cobre com armazenamento e envelhecimento controlado, garantindo a qualidade do produto.

 

Com cachaça, bons drinques, boa comida (aí acabo de lembrar da macaxeira divina que comi!) e bons papos já estávamos todos entrosados e felizes. E foi assim que partimos para a nossa segunda parada.

 

Chegamos ao Chalé e Cachaçaria Macaúva no início da noite de sábado; e mesmo com a luz já escassa deu pra perceber o quanto aquele lugar era lindo e especial. Nos acomodamos nos chalés, tomamos um bom banho e seguimos para a cachaçaria Macaúva. Ambos, chalés e cachaçaria dividem o mesmo local; uma linda propriedade no município de Analândia (2h33min partindo de São Paulo (224,7 km) via Rod. dos Bandeirantes).

 

A noite começou com uma degustação guiada de seis cachaças (Engenho Pequeno, Reserva Nosco, Patrimônio, Sapacaia Florida, Tábua e Santa Terezinha). O ponto alto da degustação foi descobrir que bebia cachaça de forma errada e isto foi um divisor de águas (destiladas rs!) pra mim. Ali aprendi com o Milton (da cachaçaria Macaúva) que tem que soltar o ar primeiro e depois engolir a cachaça com a boca fechada. Nunca mais vou queimar a garganta na vida.

 

Depois da degustação um banquete para harmonizar petiscos deliciosos com cachaça regados a uma música pra lá de especial. Aí eu peço que me deem licença para falar da dupla Lucas e Thiago que tocou naquela noite e nada têm a ver com sertanejo (nada contra, até gosto!), mas esses meninos são fora do normal. Uma pena não ter vídeos com qualidade pra mostrar pra vocês.

 

Enfim, juntos (cachaça, cias e música) fizeram uma noite inesquecível com uma linda lua cheia como testemunha. A essa altura como vocês devem imaginar já éramos todos amigos de infância (quem me conhece sabe que eu tenho dificuldades de fazer amizade #sóquenão rs!).

 

Acordamos cedo e pude perceber que lindo era aquele lugar (taí a foto que não me deixa mentir!). Tivemos um belo café da manhã e seguimos viagem em direção à Lençois Paulista (3h20min (280,9 km) via BR-374), onde fica o Engenho São Luiz, um dos mais antigos ainda em funcionamento no estado de São Paulo. Lá fomos muito bem recebidos pelos Luízes (Luiz  Santana, o patriarca da família, Luiz Guilherme, Luiz Fabiano e Gustavo que nos apresentou um engenho moderno e cheio de histórias de família. Que aliás estava toda reunida para nos receber com um delicioso almoço com direito à leitão a pururuca, linguiça flambada na cachaça e frutas embebidas nessa joia brasileira que é a cachaça.

 

 

 

A viagem foi organizada pela sommelier de cachaça Isadora Bello Fornari e pelo cachacier e grande conhecedor da bebida, Maurício Maia, ambos responsáveis pelo Travessias Brasil*. Projeto que tem o objetivo de criar e desenvolver viagens sensoriais exclusivas que envolvem gastronomia, bebidas e histórias que visam reafirmar os valores brasileiros por meio de aventuras gastro-etílicas-culturais.

 

E eu termino dizendo que essa viagem só fez aumentar o meu amor pelo Brasil, pela minha cultura e por tantas pessoas especiais que sabem e fazem a diferença em/ por nosso país.

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

Curiosidades

  • São Paulo é o maior produtor de cachaça do País, seguido por Pernambuco e Paraná. Minas Gerais curiosamente só aparece na sexta posição.

  • A cachaça é o destilado mais consumido no Brasil, com 86% do consumo total e o 3º mais consumido no mundo (em volume), sendo o primeiro colocado o soju (ou sochu), bebida coreana a base de batata doce e cereais. O 2º lugar fica com a vodca, produzida a partir de várias matérias primas dentre as quais se destacam os cereais.

  • O valor estimado de produção é de 1,3 bilhão de litros; volume exportado: pouco mais de 1%

  • Existem cerca de 30 mil produtores (legalizados e clandestinos); aproximadamente 4 mil marcas que geram cerca de 650 mil empregos diretos e indiretos.

*Catharina viajou a convite do Travessias Brasil e não vê a hora de colocar o pé na estrada novamente. Ela está morrendo de saudades dos seus companheiros de viagem que agora pode chamar carinhosamente de amigos.

 

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#1 

Catha é pernamboana (uma pernambucana criada em Alagoas).

#2

Catha come hambúguer pelo menos uma vez por semana rs!

 

#3

Catha adora despertar com cheirinho de café...

DICAS DE CATHA CASTRO!

© 2016 - Catha Castro - Mallerba Comunicação

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