Restaurante explora a versatilidade da mandioca

September 21, 2018

Restaurante no centro de São Paulo traz receitas de diferentes regiões do país, como tucupi, pirão, bobó, sagu e destilados, como a tiquira, feitos à base de mandioca

 

 

Mandioca, inhame, aipim, macaxeira, pão da terra, rainha do Brasil. Muitos apelidos, uma só raiz. Soberana na culinária brasileira, a mandioca ganhou recentemente um restaurante inteiramente dedicado a ela no centro da cidade de São Paulo. O Mandioca Cozinha, restaurante da chef pernambucana Madu Melo, explora todas as facetas gastronômicas dessa planta 100% nacional e 100% aproveitável, com receitas caseiras, glúten free, opções veganas, uso de ingredientes sazonais e preferencialmente orgânicos e agroecológicos. Em todo o menu, carta de bebidas, com direito a suco e destilado de mandioca, e até mesmo em alguns itens do décor, como louças verdes, com copos sustentáveis e recicláveis feitos com amido de macaxeira, a estrela é a mandioca.

 

A casa traz receitas das cinco regiões do país, com os diferentes tipos de mandiocas - mansa, branca e amarela, fermentada e não-fermentada; segundo o Embrapa, são 250 tipos catalogados no Brasil ? e uma dezena de variações de subprodutos e usos. Dentre eles, a farinha do Uarini (Amazonas), o tucupi amarelo (Pará), a farinha de copioba (Bahia), a de tapioca (com massa feita na casa) e outras farinhas de diferentes cantos do país.  ?Do doce ao salgado, do bar ao restaurante, do café da manhã ao jantar, a mandioca está em todas as mesas brasileiras. É um patrimônio cultural e o restaurante busca homenagear esse ingrediente tão versátil e saboroso de uma forma amigável e simples?, explica a chef e sócia Madu Melo, nascida em Recife e radicada há 10 anos em São Paulo. Formada em Marketing e tendo atuado como executiva em multinacionais e empresa de bebidas, resolveu, depois de um período sabático de viagem e pesquisas a mais de 30 países, transformar a paixão em profissão. Foi no exterior, depois de visitar a lista dos principais restaurantes estrelados Michelin e da Restaurant, que concluiu que nada era melhor que o simples e confortante Cozido da Vó Nenzinha (ensopado de carnes bovina e suína com legumes com pirão de carne e arroz).  Não por acaso, é o prato preferido da chef, receita de sua avó, cozinheira de mão cheia e sua inspiração primeira na gastronomia. 

 

Num conceito informal e descolado, durante a semana, a casa não tem garçons e trabalhará com o conceito de autosserviço, o que impacta positivamente no preço final ao consumidor. O cliente faz o seu pedido, retira-o na cozinha aberta, de onde se podem observar os preparos, leva para a mesa e recolhe sua bandeja. Aos fins de semana e feriados, a casa terá garçons. O restaurante guarda alguns mimos aos clientes, como reposição sem limite de refrescos, sucos e o café da casa. A proposta é ter uma boa relação custo-benefício, com pratos que variam de R$ 29,90 (preço do prato do dia, no almoço executivo de segunda a sexta) a R$ 45. 

 

Outra preocupação da casa é refletir a diversidade étnica, de gênero e cultural, com uma equipe multicultural, tanto na cozinha quanto no salão. Há vários imigrantes de países como Angola e Congo, vindos de uma parceria com o Adus (Instituto de Reintegração do Refugiado), bem como hostess e atendentes transexuais, selecionados por meio da Transempregos.

 

 

Menu 

 

Inicialmente, funcionando apenas no horário do almoço, a casa trabalha com preços promocionais de prato do dia (R$ 29,90) e opções à la carte. Para começar, há um Caldinho do Dia, sempre com um toque de mandioca na receita; o MPM (moela de galinha com pão caseiro de mandioca e molho) e o Caribéu Pantaneiro (ensopado de mandioca e carne de sol da casa). Para quem está de olho na dieta, há uma opção de belisquete vegano e mais leve, os Beijus com Dips (barquinhas de beiju de tapioca acompanhadas de molhos que variam semanalmente, como vinagrete de maxixe apimentado e homus de pinhão).

 

No almoço executivo, os pratos fazem um percurso gastronômico dedicado a diferentes Estados do país: às segundas, é o dia do Bobó sem Mar (bobó vegano de castanha-de-caju com arroz de coco e farofa de dendê e talos de coentro); às terças, o Frango do Cerrado(galinhada de coxa e sobrecoxa de frango com pequi acompanhada de angu de mandioca e quiabo assado); às quartas, o Porco Sulista (mignon suíno preparado com melado de rapadura, farofa de pinhão e abóbora assada, ao estilo dos pampas); às quintas, Mamma Brasiliana (nhoque de mandioca com legumes salteado no tucupi preto); às sextas, Cozido da Vó Nenzinha (ensopado de carnes bovina e suína com legumes acompanhado de pirão de carne e arroz branco).

 

Aos sábados e feriados, a dica é a Delícia do Uarini (peixe assado na folha de couve, regado com tucupi, acompanhado de farofa de farinha do Uarini com pimenta cumari, castanha-do-pará e jambu). Como sobremesas, a chef Madu Melo traz a Tapioca Ensopada (tapioca de coco fresco ralado, ensopada no leite de coco e adoçada com mel orgânico), o Sagu Clássico(sagu de vinho tinto com creme de baunilha) e o Pudim da Casa (pudim de mandioca com toque cítrico, calda de cumaru e crocante de castanha do Pará).

 

Para harmonizar, carta de cervejas artesanais brasileiras, com rótulos até com mandioca na composição. É o caso da Colorado Cauim, de Ribeirão Preto, cerveja pilsen com adição de cereais, malte importado, lúpulo tcheco e mandioca. Dentre as opções sugeridas pela chef, está a Cangaço?s Kingdom (Double IPA), da Caatinga Rocks (AL), seca, longa e amarga, rica em aromas e sabores cítricos, decorrente da utilização de fortes lúpulos americanos, ideal para harmonizar com pratos marcantes e apimentados. A carta de vinhos 100% nacional foi assinada pela sommelière Camila Melo e traz opções de vinícolas de todas as regiões do país, com destaque para a Guaspari, de Espírito Santo do Pinhal (SP) e Rio Sol, de Petrolina (PE). A carta de drinques contou com a consultoria do mixologista Rafael Vidiri (que trabalhou como chef de bar do Grupo Fasano e hoje é sócio do Quintal de Casa, em Bragança Paulista, interior do Estado). Dentre as sugestões, estão refrescos com mandioca, drinques com tiquira, o destilado de mandioca, como Tiquira Tônica (tiquira, água tônica, gelo, limão, hortelã e mel de abelhas nativas) e o autoral Galo do Norte (cachaças branca e de jambu e cynar), releitura do clássico Rabo de Galo. A casa só trabalha com rótulos nacionais, seja de cervejas, destilados ou vinhos.

 

Fonte de fibras e isenta de glúten, a mandioca é um poderoso carboidrato e oferece ainda vitamina C e minerais como o potássio, o magnésio e o cálcio. A folha de mandioca, além de ter vitaminas A, B1 e C, também contém cálcio, fósforo, proteínas, hidratos de carbono e de ferro. Não é à toa que se tornou ingrediente queridinho de esportistas e da turma glúten free, que trocou o pão pela tapioca.

 

Serviço

 

Mandioca Cozinha

Endereço: Rua Doutor Cesário Mota Junior, 187 Vila Buarque - São Paulo (próximo ao metrô Santa Cecília)

Telefones: 11 2936-9427 e 99282-7556 (whats app)

E-mail: contato@mandiocacozinha.com.br

Horário de funcionamento: de terça a sexta, das 11h30 às 15h; sábados, domingos e feriados, das 12h30 às 16h30.

Não abre às segundas-feiras e nem para o jantar.

 

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#1 

Catha é pernamboana (uma pernambucana criada em Alagoas).

#2

Catha come hambúguer pelo menos uma vez por semana rs!

 

#3

Catha adora despertar com cheirinho de café...

DICAS DE CATHA CASTRO!

© 2016 - Catha Castro - Mallerba Comunicação

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